Os galos cantam e estou bebedíssimo.

by Álvaro de Campos · 4-10-1931
Published 04/10/1931

Os galos cantam e estou bebedíssimo.

Não fiz nada da vida senão tê-la.

Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo.

Minha intenção não foi a minha estrela.


Os galos cantam e eu cada vez mais

Absorto no disperso que o álcool dá.

Curara-me talvez a vida, ou sais,

Ou poder crer, ou desejar o que há.


Cantam tantos tão galos que me irrita

Que a noite que ainda dura possa ser.

Mas virá o dia, e, ao fim da parte escrita,

A morte marra e eu deixo-me colher.

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