Abram falência à nossa vitalidade!

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Abram falência à nossa vitalidade!

Escrevemos versos, cantamos as coisas-falências; não as vivemos.

Como poder viver todas as vidas e todas as épocas

E todas as formas da forma

E todos os gestos do gesto?

O que é fazer versos senão confessar que a vida não basta

O que é arte senão uma esperança que não é ninguém

Adeus, Walt, adeus!

Adeus até ao indefinido do para além do Fim.

Espera-me, se aí se pode esperar,

Quando parte o último comboio?

Quando parte? (Quando partimos)

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