Ode Marcial — "Clarins na noite,"

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

ODE MARCIAL


Clarins na noite,

Clarins na noite,

Clarins subitamente distintos na noite...


(É de cavalgada, de cavalgada, de cavalgada o ruído longínquo?)


O que é [que] estremece de diverso pela erva e nas almas?

O que é que se vai alterar e já lá longe se altera —

Na distância, no futuro, na angústia — não se sabe onde —?


Clarins na noite,

Clarins... na noite,

Clari-i-i-i-ins.....


É de cavalgada,

É de cavalgada, de cavalgada,

É de cavalgada, de cavalgada, de cavalgada

O ruído, ruído, ruído agora já nítido.


Vejo-as no coração e no horror que há em mim:

Valquírias, bruxas, amazonas do assombro...

São um grande sonho — mistério de sombras pegadas que mexe na noite.

Vêm em cavalgada, e a terra estremece duas vezes,

E o coração como a terra estremece duas vezes também.


Vêm do fundo do mundo,

Vêm do abismo das coisas,

Vêm de onde partem as leis que governam tudo;

Vêm de onde a injustiça derrama-se sobre os seres,

Vêm de onde se vê que é inútil amar e querer,

E só a guerra e o mal são o dentro e fora do mundo.


Hela-hô-hôôô...helahô-hôôôôô.......

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