Ah o som de abanar o ferro da engomadeira

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Ah o som de abanar o ferro da engomadeira

À janela ao lado da minha infância debruçada!

O som de estarem lavando a roupa no tanque!

Todas estas coisas são, de qualquer modo,

Parte do que sou.

(Ó ama morta, que é do teu carinho grisalho?)

Minha infância da altura da cara pouco acima da mesa...

Minha mão gordinha pousada na borda da toalha que se enrodilhava.

E eu olhava por cima do prato, nas pontas dos pés.

(Hoje se me puser nas pontas dos pés, é só intelectualmente.)

E a mesa que tenho não tem toalha, nem quem lhe ponha toalha...

Estudei o fermento da falência

Na demonologia da imaginação...

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