II - A Praça da Figueira de manhã,

by Álvaro de Campos · 1915
Published 01/07/1915

A Praça da Figueira de manhã,

Quando o dia é de sol (como acontece

Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,

Embora seja uma memória vã.


Há tanta coisa mais interessante

Que aquele lugar lógico e plebeu,

Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu

Porque o amo? Não importa nada. Adiante...


Isto de sensações só vale a pena

Se a gente se não põe a olhar p'ra elas.

Nenhuma d'elas em mim é serena...


De resto, nada em mim é certo e está

De acordo comigo próprio. As horas belas

São as dos outros, ou as que não há.


Londres (uns cinco meses antes do Opiário) Outubro 1913

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