III - Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de

by Álvaro de Campos · 1915
Published 01/07/1915

Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de

Dizer aos meus amigos ai de Londres,

Que embora não o sintas, tu escondes

A grande dor da minha morte. Irás de


Londres p'ra York, onde nasceste (dizes —

Que eu nada que tu digas acredito...)

Contar àquele pobre rapazito

Que me deu tantas horas tão felizes


(Embora não o saibas) que morri.

Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,

Nada se importará. Depois vai dar


A notícia a essa estranha Cecily

Que acreditava que eu seria grande...

Raios partam a vida e quem lá ande!...


(A bordo do navio em que embarcou para o Oriente; uns quatro meses antes

      do Opiário, portanto) Dezembro 1913

#alvaro de campos #amor não correspondido #despedida #fernando pessoa #memória #morte #solidão

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