Hora a hora não dura a face antiga

by Ricardo Reis · 16-11-1923
Published 16/11/1923

Hora a hora não dura a face antiga

Dos repetidos seres, e hora a hora,

      Pensando, envelhecemos.

Tudo passa ignorado, e o que, sabido,

Fica só sabe que ignora, porém nada

      Torna, ciente ou néscio.

Pares, assim, do que não somos pares,

Da hora incerta a chama agasalhemos

      Com côncavas mãos frias.

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