Não só vinho, mas nele o olvido, deito

by Ricardo Reis · 13-6-1926
Published 13/06/1926

Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Na taça: serei ledo, porque a dita

      É ignara. Quem, lembrando

      Ou prevendo, sorrira?

Dos brutos, não a vida, senão a alma,

Consigamos, pensando; recolhidos

      No impalpável destino

      Que não espera nem lembra.

Com mão mortal elevo à mortal boca

Em frágil taça o passageiro vinho,

      Baços os olhos feitos

      Para deixar de ver.

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