Pois que nada que dure, ou que, durando,

by Ricardo Reis · 16-3-1933
Published 16/03/1933

Pois que nada que dure, ou que, durando,

Valha, neste confuso mundo obramos,

E o mesmo útil para nós perdemos

Connosco, cedo, cedo,


O prazer do momento anteponhamos

A absurda cura do futuro, cuja

Certeza única é o mal presente

Com que o seu bem compramos.


Amanhã não existe. Meu somente

É o momento, eu só quem existe

Neste instante, que pode o derradeiro

Ser de quem finjo ser?

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