REGRESSO AO LAR

by Álvaro de Campos · 3/2/1935
Published 03/02/1935

Há quanto tempo não escrevo um soneto

Mas não importa: escrevo este agora.

Sonetos são infância e, nesta hora.

A minha infância é só um ponto preto


Que num imóbiI e fútil trajecto

Do comboio que sou me deita fora

E o soneto é como alguém que mora

Há dois dias em tudo que projecto.


Graças a Deus, ainda sei que há

Quatorze linhas a cumprir iguais

Para a gente saber onde é que está...


Mas onde a gente está, ou eu, não sei...

Não quero saber mais de nada mais

E berdamerda para o que saberei.

#alvaro de campos #autocrítica #crise existencial #fernando pessoa #nostalgia

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