Eu não estou inteira em algum lugar
Eu dividi em partes o meu próprio eu
Já não sou mais eu mesma, eu me desfiz de mim
Eu quebrei o meu todo e hoje sou só breu
Eu sou relógio antigo que as horas não dá
Eu sou espelho frágil, o vento estilhaçou
Eu sou livro mofado que ninguém mais lê
Sou solo infértil que as árvores matou
Sou eu a fruta seca que ninguém colheu
Sou pássaro inverneiro em busca de verão
Sou eu uma fogueira que nunca acendeu
Sou eu a primavera fora de estação
Sou uma cachoeira sem uma nascente
Sou uma estrada velha onde ninguém transita
Sou eu a poesia que ninguém vai ler
Meus versos me devoram como parasitas
