Fragmentada

by Iluminatriz · 01/04/2026 - 01/04/2026
Published 06/04/2026 02:42

Eu não estou inteira em algum lugar

 

Eu dividi em partes o meu próprio eu

 

Já não sou mais eu mesma, eu me desfiz de mim

 

Eu quebrei o meu todo e hoje sou só breu


 

Eu sou relógio antigo que as horas não dá

 

Eu sou espelho frágil, o vento estilhaçou

 

Eu sou livro mofado que ninguém mais lê

 

Sou solo infértil que as árvores matou


 

Sou eu a fruta seca que ninguém colheu

 

Sou pássaro inverneiro em busca de verão

 

Sou eu uma fogueira que nunca acendeu

 

Sou eu a primavera fora de estação


 

Sou uma cachoeira sem uma nascente

 

Sou uma estrada velha onde ninguém transita

 

Sou eu a poesia que ninguém vai ler

 

Meus versos me devoram como parasitas

#auto-destruição #fragmentação da identidade #isolamento #luis vaz de camoes #perda de propósito #poesia #relação entre escrita e sofrimento #self reflection

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