Não torna ao ramo a folha que o deixou,

by Ricardo Reis · 28-9-1926
Published 28/09/1926

Não torna ao ramo a folha que o deixou,

Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.

O momento, que acaba ao começar

      Este, morreu p'ra sempre.

Não me promete o incerto e vão futuro

Mais do que esta iterada experiência

Da mutada sorte e a condição deserta

      Das cousas e de mim.

Por isso, neste rio universal

De que sou, não uma onda, senão ondas,

Decorro inerte, sem pedido, nem

       Deuses em quem o empregue.

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