Mas mesmo assim, de repente mas de vagar, de vagar,

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Mas mesmo assim, de repente mas de vagar, de vagar,

Atravessando todas estas coisas modernas e presentes,

Vindo naturalmente através de todas estas coisas e estes ruídos,

Como se tudo isto fosse um vidro fosco transparente a essa luz,

Através do ruído dos guindastes, pelos interstícios do marulhar dos barcos,

Coando pelas frinchas dos assobios dos comboios,

Misteriosamente repassando, ensopando a faina das gentes,

Torna, através do moderno e do actual, a eterna voz marítima,

A eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas,

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