Manhã que raias sem olhar a mim,

by Ricardo Reis · 23-11-1918
Published 23/11/1918

Manhã que raias sem olhar a mim,

Sol que luzes sem querer saber de eu ver-te,

      É para mim que sois

      Reais e verdadeiros;

Porque é na oposição ao que eu desejo

Que sinto real a natureza e a vida.

      No que me nega sinto

      Que existe e eu sou pequeno.

E nesta consciência torno a grande

Como a onda, que as tormentas atiraram

      Ao alto ar, regressa

Pesada a um mar mais fundo.

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