Não como ante donzela ou mulher viva

by Ricardo Reis · 11-8-1914
Published 11/08/1914

Não como ante donzela ou mulher viva

Com calor na beleza humana delas

      Devemos dar os olhos

      À beleza imortal.


Eternamente longe ela se mostra

E calma e para os calmos adorarem

      Não de outro modo é ela

      Imortal como os deuses.


Que nunca a alegria transitória

Nem a paixão que busca — porque exige

      Devemos olhar de néscios

      Olhos para a beleza.


Como quem vê um Deus e nunca ousa

Amá-lo mais que como a um Deus se ama

      Diante da beleza

      Façamo-nos sóbrios.


Para outra cousa não a dão os deuses

À nossa febre humana e vil da vida,

      Por isso a contemplemos

      Num claro esquecimento.


E de tudo tiremos a beleza

Como a presença altiva e encoberta

      E o longínquo sorriso

      De quem assiste à vida.

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