Aquela falsa e triste semelhança

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Aquela falsa e triste semelhança

Entre quem julgo ser e quem eu sou.

Sou a máscara que volve a ser criança,

Mas reconheço, adulto, aonde estou,


Isto não é o Carnaval, nem eu.

Tenho vontade de dormir, e ando.

O que passa, ondeando, em torno meu,

Passa (...)


Dormir, despir-me deste mundo ultraje,

Como quem despe um dominó roubado.

Despir a alma postiça como a um traje.


Tenho náusea carnal do meu destino.

Quase me cansa me cansar. E vou,

Anónimo, (...) menino,

Por meu ser fora à busca de quem sou.

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