O mesmo Teucro duce et auspice Teucro
by Álvaro de Campos
· s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880
O mesmo Teucro duce et auspice Teucro
É sempre eras — amanhã — que nos faremos ao mar.
Sossega, coração inútil, sossega!
Sossega, porque nada há que esperar,
E por isso nada que desesperar também...
Sossega... Por cima do muro da quinta
Sobe longínquo o olival alheio.
Assim na infância vi outro que não era este:
Não sei se foram os mesmos olhos da mesma alma que o viram.
Adiamos tudo, até que a morte chegue.
Adiamos tudo e o entendimento de tudo,
Com um cansaço antecipado de tudo,
Com uma saudade prognóstica e vazia.