Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima,

by Álvaro de Campos · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima,

Começam chegando os primitivos da espera,

Já ao longe o paquete de África se avoluma e esclarece.

Vim aqui para não esperar ninguém,

Para ver os outros esperar,

Para ser os outros todos a esperar,

Para ser a esperança de todos os outros.


Trago um grande cansaço de ser tanta coisa.

Chegam os retardatários do princípio,

E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser,

Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me dita muito... mas rapidamente.

Regresso à cidade como à liberdade.


Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.

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