A nada imploram tuas mãos já coisas,

by Ricardo Reis · 5-1927
Published 01/07/1927

A nada imploram tuas mãos já coisas,

Nem convencem teus lábios já parados,

      No abafo subterrâneo

      Da húmida imposta terra.

Só talvez o sorriso com que amavas

Te embalsama remota, e nas memórias

      Te ergue qual eras, hoje

      Cortiço apodrecido.

E o nome inútil que teu corpo morto

Usou, vivo, na terra, como uma alma,

      Não lembra. A ode grava,

      Anónimo, um sorriso.

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