XXIII - O meu olhar azul como o céu

by Alberto Caeiro · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

O meu olhar azul como o céu

É calmo como a água ao sol.

É assim, azul e calmo,

Porque não interroga nem se espanta...


Se eu interrogasse e me espantasse

Não nasciam flores novas nos prados

Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo...

(Mesmo se nascessem flores novas no prado

E se o sol mudasse para mais belo,

Eu sentiria menos flores no prado

E achava mais feio o sol...

Porque tudo é como é e assim é que é,

E eu aceito, e nem agradeço,

Para não parecer que penso nisso…)

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