Nesta vida, em que sou meu sono,

by Fernando Pessoa · 11-12-1932
Published 11/12/1932

Nesta vida, em que sou meu sono,

Não sou meu dono,

Quem sou é quem me ignoro e vive

Através desta névoa que sou eu

Todas as vidas que eu outrora tive,

Numa só vida.

Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,

Mas minha cor vem do meu alto céu,

E só me encontro quando de mim fujo.


Quem quando eu era infante me guiava

Senão a vera alma que em mim estava?

Atada pelos braços corporais,

Não podia ser mais.

Mas, certo, um gesto, olhar ou esquecimento

Também, aos olhos de quem bem olhou,

A Presença Real sob o disfarce

Da minha alma presente sem intento.

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