Quando já nada nos resta

by Fernando Pessoa · 9-8-1932
Published 09/08/1932

Quando já nada nos resta

É que o mudo sol é bom.

O silêncio da floresta

É de muitos sons sem som.


Basta a brisa pra sorriso

Entardecer é quem esquece.

Dá nas folhas o impreciso,

E mais que o ramo estremece.


Ter tido esperança fala

Como quem conta a cantar.

Quando a floresta se cala

Fica a floresta a falar.

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