XXXVII - Como um grande borrão de fogo sujo

by Alberto Caeiro · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Como um grande borrão de fogo sujo

O sol-posto demora-se nas nuvens que ficam.

Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.

Deve ser dum comboio longínquo.


Neste momento vem-me uma vaga saudade

E um vago desejo plácido

Que aparece e desaparece.


Também às vezes, à flor dos ribeiros

Formam-se bolhas na água

Que nascem e se desmancham.

E não têm sentido nenhum

Salvo serem bolhas de água

Que nascem e se desmancham.

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