Ó ervas frescas que cobris

by Fernando Pessoa · 14-6-1930
Published 14/06/1930

Ó ervas frescas que cobris

      As sepulturas,

Vosso verde tem cores vis

A meus olhos, já servis

      De conjecturas.


Sabemos bem de quem viveis

      Ervas do chão,

Que sossego é esse que fazeis

      Verde na forma que trazeis

Sem compaixão.


Ó verdes ervas, como o azul medo

      Do céu sem Ser,

Cunhado como entre segredo

Da vida viva, e outro degredo

      Do infindo haver.


Tenho um terror com todo eu

      Do verde chão...

Ó Sol, não baixes já no céu,

Quero um momento ainda meu

      Como um perdão.

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