XVIII - Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

by Alberto Caeiro · 1914
Published 01/07/1914

XXVIII


Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

E que os pés dos pobres me estivessem pisando...


Quem me dera que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras estivessem à minha beira...


Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio

E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...


Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

E que ele me batesse e me estimasse...


Antes isso que ser o que atravessa a vida

Olhando para trás de si e tendo pena...

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