O sonho que se opôs a que eu vivesse

by Fernando Pessoa · 26-4-1928
Published 26/04/1928

O sonho que se opôs a que eu vivesse

A esperança que não quis que eu acordasse,

O amor fictício que nunca era esse,

A glória eterna que velava a face.


Por onde eu, louco sem loucura, passe

Esse conjunto absurdo a teia tece...

E, por mais que o Destino me ajudasse,

Quero crer que o Deus dele me esquecesse.


Por isso sou o deportado, e a ilha

Com que, de natural e vegetável

A imaginação se maravilha...


Nem frutos tem nem água que é potável...

Do barco naufragado vê-se a quilha...


......

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