Ó curva do horizonte, quem te passa,

by Fernando Pessoa · 13-8-1921
Published 13/08/1921

Ó curva do horizonte, quem te passa,

Passa da vista, vão de ser ou estar.

Seta, que o peito enorme me transpassa.

Não doas, que morrer é continuar.


Não vejo mais esse a quem quis. A taça,

De ouro, não se partiu. Caída ao mar

Sumiu-se, mas no fundo é a mesma graça

Oculta para nós, mas sem mudar.


Ó curva do horizonte, eu me aproximo,

Para quem deixo, um dia cessarei

Da vista do último no último cimo,


Mas para mim o mesmo eterno irei

Na curva, até que o tempo a espera

E aonde estive um dia voltarei.

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