GLOSA

by Fernando Pessoa · 9-11-1929
Published 09/11/1929

Minha alma sabe-me a antiga

Mas sou de minha lembrança,

Como um eco, uma cantiga.


Bem sei que isto não é nada,

Mas quem dera a alma que seja

O que isto é, como uma estrada.


Talvez eu fosse feliz

Se houvesse em mim o perdão

Do que isto quase que diz.


Porque o esforço é vil e vão,

A verdade, quem a quis?

Escuta só, meu coração.

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