No ouro sem fim da tarde morta,

by Fernando Pessoa · s. d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

No ouro sem fim da tarde morta,

Na poeira de ouro sem lugar

Da tarde que me passa à porta

Para não parar,


No silêncio dourado ainda

Dos arvoredos verde fim,

Recordo. Eras antiga e linda

E estás em mim...


Tua memória há sem que houvesses,

Teu gesto, sem que fosses alguém,

Como uma brisa me estremeces

E eu choro um bem...


Perdi-te. Não te tive. A hora

É suave para a minha dor.

Deixa meu ser que rememora

Sentir o amor,


Ainda que amar seja um receio,

Uma lembrança falsa e vã,

E a noite deste vago anseio

Não tenha manhã.

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