EPITALÂMIO – XIV - T

by Fernando Pessoa · 1913
Published 01/07/1913

EPITALÂMIO


      XIV


O noivo anseia pelo fim de tudo isto no cio

De conhecer essas entranhas em chupados sorvos,

De pôr primeira mão nesse cabelo do ventre

E apalpar o fojo labiado,

A fortaleza feita para ser tomada, e pela qual

Sente o aríete engrossar e doer de desejo.

A trémula alegre noiva sente todo o calor do dia

Nesse lugar ainda enclaustrado

Onde a sua virginal mão nocturna fingia

Um vazio lucro de prazer.

E dos outros a maior parte é disto que segredará,

Sabendo o rápido trabalho que é;

E as crianças, que observam com ávidos olhos,

Agora antegozam de saber

Da carne, e com homens e mulheres crescidos fazer

O acto coceguento e líquido

Por cujo sabor em cantos escusos tentam

O que mal sabem como é seco ainda.

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