GLÁDIO

by Fernando Pessoa · (no date)
Published 01/07/1880

            A Alberto Da Cunha Dias


Deu-me Deus o Seu Gládio, porque eu faça

      A Sua santa guerra.

Sagrou-me Seu em génio e em desgraça

As horas em que um frio vento passa

      Por sobre a fria terra.


Pôs-me as mãos sobre os ombros e dourou‑me

      A fronte com o olhar:

E esta febre de Além, que me consome,

E este querer-justiça são Seu Nome

      Dentro em mim a vibrar.


E eu vou, e a luz do Gládio erguido dá

      Em minha face calma.

Cheio de Deus, não temo o que virá,

Pois, venha o que vier, nunca será

      Maior do que a minha Alma!

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