Renego, lápis partido,

by Fernando Pessoa · 12-4-1934
Published 12/04/1934

Renego, lápis partido,

Tudo quanto desejei.

E nem sonhei ser servido

Para onde nunca irei.


Pajem metido em farrapos

Da glória que outros tiveram,

Poderei amar os trapos

Por ser tudo que me deram.


E irei, príncipe mendigo,

Colher, com a boa gente,

Entre o ondular do trigo

A papoila inteligente.

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