ANTÍGONA

by Fernando Pessoa · 6-1902
Published 01/07/1902

Como te amo? Não sei de quantos modos vários

Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos;

Amo-te co'o fervor dos meus sentidos gastos;

Amo-te co'o fervor dos meus preitos diários.


É puro o meu amor, como os puros sacrários;

É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;

É grande como os mares altíssonos e vastos;

É suave como o odor de lírios solitários.


Amor que rompe enfim os laços crus do Ser;

Um tão singelo amor, que aumenta na ventura;

Um amor tão leal que aumenta no sofrer;


Amor de tal feição que se na vida escura

É tão grande e nas mais vis ânsias do viver,

Muito maior será na paz da sepultura!


Ilha Terceira

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