Onde o sossego dorme
by Fernando Pessoa
· 19-11-1933
Published 19/11/1933
Onde o sossego dorme
Como se fosse alguém
E à noite negra e enorme
Nem luar nem dia vem.
Ali, quieto, absorto
Em nada já saber,
Quero, quando for morto,
Consciente esquecer...
Deixada a vida incerta,
Perdido o gozo e a dor,
Sob essa noite aberta
Sonhar sem o supor...
Até que ao fim de uma era
Que o tempo não contou
O que eu não reavera
Se mude no que eu sou.