Seria doce amar, cingir a mim

by Fernando Pessoa · s.d. (uncertain date)
Published 01/07/1880

Seria doce amar, cingir a mim

Um corpo de mulher, mas fixo e grave

E feito em tudo transcendentalmente.

O pensamento impede-me e confrange-me

Do terror de ter perto e comungar

Em sensação ou ser com outro corpo.

Gelada mão misteriosa cai

Sobre a imaginação que nem em si

Me pode amante conceber.


Ó corpo! Amante, entrega-te! Talvez

Te salves entregando-te e amando!

Mas não! A consciência do mistério

Mantém-me isolado e em horror

Perante tudo.

      Ah não poder

Arrancar de mim a consciência!

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