II - Dói viver, nada sou que valha ser.

by Fernando Pessoa · 24-9-1923
Published 24/09/1923

Dói viver, nada sou que valha ser.

Tardo-me porque penso e tudo rui.

Tento saber, porque tentar é ser.

Longe de isto ser tudo, tudo flui.


Mágoa que, indiferente, faz viver.

Névoa que, diferente, em tudo influi.

O exílio nada do que foi sequer

Ilude, fixa, dá, faz ou possui.


Assim, nocturna, a áreas indecisas,

O prelúdio perdido traz à mente

O que das ilhas mortas foi só brisas,


E o que a memória análoga dedica

Ao sonho, e onde, lua na corrente,

Não passa o sonho e a água inútil fica.

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