IV - Doura o dia. Silente, o vento dura.

by Fernando Pessoa · 24-9-1923
Published 24/09/1923

Doura o dia. Silente, o vento dura.

Verde as árvores, mole a terra escura,

Onde flores, vazia a álea e os bancos.

No pinhal erva cresce nos barrancos.

Nuvens vagas no pérfido horizonte.

O moinho longínquo no ermo monte.

Eu alma, que contempla tudo isto,

Nada conhece e tudo reconhece.

Nestas sombras de me sentir existo,

E é falsa a teia que tecer me tece.

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