A Morte, que da vida o nó desata

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

A Morte, que da vida o nó desata,

Os nós, que dá o Amor, cortar quizera

Co'a ausencia, que he sôbre elle espada fera,

E co'o tempo, que tudo desbarata.


Duas contrárias, que huma a outra mata,

A Morte contra Amor junta e altera;

Huma, Razão contra a Fortuna austera;

Outra, contra a Razão Fortuna ingrata.


Mas mostre a sua imperial potencia

A Morte em apartar de hum corpo a alma,

O Amor n'hum corpo duas almas una;


Para que assi triumphante leve a palma

Da Morte Amor a grão pesar da ausencia,

Do tempo, da Razão, e da Fortuna.

#amor #destino #luis vaz de camoes #morte #razão #tempo

4 likes

Related poems →

More by Luís Vaz de Camões

Read "A Morte, que da vida o nó desata" by Luís Vaz de Camões. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by Luís Vaz de Camões.