Alegres campos, verdes arvoredos

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Alegres campos, verdes arvoredos,

Claras e frescas águas de crystal,

Que em vós os debuxais ao natural,

Discorrendo da altura dos rochedos:


Sylvestres montes, asperos penedos

Compostos de concêrto desigual;

Sabei que sem licença de meu mal

Ja não podeis fazer meus olhos ledos.


E pois ja me não vêdes como vistes,

Não me alegrem verduras deleitosas,

Nem águas que correndo alegres vem.


Semearei em vós lembranças tristes,

Regar-vos-hei com lagrimas saudosas,

E nascerão saudades de meu bem.

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