Aquella que, de pura castidade

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Aquella que, de pura castidade,

De si mesma tomou cruel vingança

Por huma breve e subita mudança

Contrária á sua honra e qualidade;


Venceo á formosura a honestidade,

Venceo no fim da vida a esperança,

Porque ficasse viva tal lembrança,

Tal amor, tanta fé, tanta verdade.


De si, da gente e do mundo esquecida,

Ferio com duro ferro o brando peito,

Banhando em sangue a fôrça do tyrano.


Oh ousadia estranha! estranho feito!

Que dando breve morte ao corpo humano,

Tenha sua memoria larga vida!

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