Aquella triste e leda madrugada

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Aquella triste e leda madrugada,

Cheia toda de mágoa e de piedade,

Em quanto houver no mundo saudade

Quero que seja sempre celebrada.


Ella só, quando amena e marchetada

Sahia, dando á terra claridade,

Vio apartar-se de huma outra vontade,

Que nunca poderá ver-se apartada


Ella só vio as lagrimas em fio,

Que de huns e de outros olhos derivadas,

Juntando-se, formárão largo rio


Ella ouvio as palavras magoadas,

Que puderão tornar o fogo frio,

E dar descanço ás almas condemnadas.

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