Com que voz chorarei meu triste fado

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Com que voz chorarei meu triste fado,

que em tão dura prisão me sepultou,

que mor não seja a dor que me deixou

o tempo, de meu bem desenganado?


Mas chorar não se estima neste estado,

onde suspirar nunca aproveitou;

triste quero viver, pois se mudou

em tristeza a alegria do passado.


Assi a vida passo descontente,

ao som nesta prisão do grilhão duro

que lastima o pé que o sofre e sente!


De tanto mal a causa é amor puro,

devido a quem de mi tenho ausente

por quem a vida, e bens dela, aventuro.

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