De quantas graças tinha a natureza

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

De quantas graças tinha a natureza

Fez hum bello e riquissimo thesouro;

E com rubis e rosas, neve e ouro,

Formou sublime e angelica belleza.


Poz na boca os rubis, e na pureza

Do bello rosto as rosas, por quem mouro;

No cabello o valor do metal louro;

No peito a neve, em que a alma tenho accesa.


Mas nos olhos mostrou quanto podia,

E fez delles hum sol, onde se apura

A luz mais clara que a do claro dia.


Em fim, Senhora, em vossa compostura,

Ella a apurar chegou quanto sabia

De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

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