Doces e claras águas do Mondego

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Doces e claras águas do Mondego,

Doce repouso de minha lembrança,

Onde a comprida e perfida esperança

Longo tempo apos si me trouxe cego,


De vós me aparto, si; porém não nego

Que inda a longa memoria, que me alcança,

Me não deixa de vós fazer mudança,

Mas quanto mais me alongo, mais me achego


Bem poderá a Fortuna este instrumento

Da alma levar por terra nova e estranha,

Offerecido ao mar remoto, ao vento.


Mas a alma, que de cá vos acompanha,

Nas azas do ligeiro pensamento

Para vós, águas, vôa, e em vós se banha.

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