Em um batel que com doce meneio

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Em um batel que com doce meneio

o aurífero Tejo dividia,

vi belas damas ou, melhor diria,

belas estrelas, e um Sol no meio.


As delicadas filhas de Nereio,

com mil cordas de doce harmonia,

iam amarrando a bela companhia

que, se eu não erro, por honrá-las veio.


Ó fermosas Nereidas que, cantando,

lograis aquela vista tão serena

que a vida, em tantos males, quer trazer-me:


dizei-lhe que olhe que se vai passando

o curto tempo e, a tão longa pena,

o espírito é pronto, a carne enferma.

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