Fiou-se o coração, de muito isento

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Fiou-se o coração, de muito isento

de si, cuidando mal que tomaria

tão ilícito amor tal ousadia,

tal modo nunca visto de tormento.


Mas os olhos pintaram tão a tento

outros que visto têm, na fantasia,

que a razão, temerosa do que via,

fugiu, deixando o campo ao pensamento.


«Ó Hipólito casto que, de jeito,

de Fedra, tua madrasta, foste amado,

que não sabia ter nenhum respeito!


Em mim vingou o Amor teu casto peito;

mas está desse agravo tão vingado,

que se arrepende já do que tem feito».

#forbidden love #greek myth #luis vaz de camoes #unrequited love

3 likes

Related poems →

More by Luís Vaz de Camões

Read "Fiou-se o coração, de muito isento" by Luís Vaz de Camões. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by Luís Vaz de Camões.