Tudo que sinto, tudo quanto penso,

by Fernando Pessoa · 9-5-1934
Published 09/05/1934

Tudo que sinto, tudo quanto penso,

Sem que eu o queira se me converteu

Numa vasta planície, um vago extenso

Onde há só nada sob o nulo céu.


Não existo senão para saber

Que não existo, e, como a recordar,

Vejo boiar a inércia do meu ser

No meu ser sem inércia, inútil mar.


Sargaço fluido de uma hora incerta,

Quem me dará que o tenha por visão?

Nada, nem o que tolda a descoberta

Com o saber que existe o coração.

#autoconsciência #existencialismo #fernando pessoa #nihilismo #questionamento #vazio

1 like

Related poems →

More by Fernando Pessoa

Read "Tudo que sinto, tudo quanto penso," by Fernando Pessoa. One of the best and most popular poems on The Poet's Place. Discover more trending, inspiring, and beautiful poetry by Fernando Pessoa.