Na desesperação ja repousava

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Na desesperação ja repousava

O peito longamente magoado,

E, com seu damno eterno concertado,

Ja não temia, ja não desejava;


Quando huma sombra vãa me assegurava

Que algum bem me podia estar guardado

Em tão formosa imagem, que o traslado

N'alma ficou, que nella se enlevava.


Que credito que dá tão facilmente

O coração áquillo que deseja,

Quando lhe esquece o fero seu destino!


Ah! deixem-me enganar; que eu sou contente;

Pois, postoque maior meu damno seja,

Fica-me a gloria ja do que imagino

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