Na metade do ceo subido ardia

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Na metade do ceo subido ardia

O claro, almo Pastor, quando deixavão

O verde pasto as cabras, e buscavão

A frescura suave da agua fria.


Com a folha das árvores, sombria,

Do raio ardente as aves se amparavão:

O módulo cantar, de que cessavão,

Só nas roucas cigarras se sentia.


Quando Liso pastor n'hum campo verde

Natercia, crua Nympha, só buscava

Com mil suspiros tristes que derrama.


Porque te vás de quem por ti se perde,

Para quem pouco te ama? (suspirava)

E o eco lhe responde: Pouco te ama.

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