Na ribeira do Eufrates assentado

by Luís Vaz de Camões · (no date)
Published 01/07/1880

Na ribeira do Eufrates assentado,

discorrendo me achei pela memória

aquele breve bem, aquela glória,

que em ti, doce Sião, tinha passado.


Da causa de meus males perguntado

me foi: «Como não cantas a história

de teu passado bem, e da vitória

que sempre de teu mal hás alcançado?


Não sabes que, a quem canta, se lhe esquece

o mal, inda que grave e rigoroso?

Canta, pois, e não chores dessa sorte».


Respondo com suspiros: «Quando cresce

a muita saudade, o piadoso

remédio é não cantar senão a morte».

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